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Paulo César de Brito
CARPINTEIRO NAVAL Outro dia tive de acompanhar meu querido pai Vicente Brito, para um dia de lazer do Grupo do Vovô e da Vovó do bairro São João, á bonita praia do Paraíso, área essa que fica localizada entre as praias de Upanema e Baixa Grande. Um verdadeiro Paraíso de verdade. Foi lá que meu velho pai apresentou-me a um amigo seu de longa data, o senhor de nome Anastácio Antunes de Abreu. Um grande carpinteiro naval em nossa cidade. Ele seu Anastácio falou-me de suas grandes construções e reformas em embarcações de pequenos e grandes portes. Ele seu Anastácio é uma pessoa carismática, sincera e de boa índole o mesmo mim disse que construiu ao longo da sua vida, cerca de 20 embarcações, como botes, baiteiras e canoas. Partes dos barcos foram construídos na praia de Pernambuquinho município de Grossos. Já em Areia Branca , ele comenta que fez muitas reformas em lanchas e barcaças de madeira. O mesmo falou-me que entres seus amigos, os mesmo colocaram-lhes alguns apelidos, na qual alguns permanecem até hoje, é o caso de “Ana” diminutivo do nome Anastácio e “Espada de Ferir Cristo” por ser seu Anastácio muito magro de corpo. Lembro-me de uma crônica escrita no Jornal De Fato, pelo conterrâneo José Nicodemos, onde ele o cronista falava da pessoa de negro Léo. Eu perguntei ao seu Anastácio se ele conhecia o negro Léo. Ele disse conheci demais. Segundo Anastácio negro Léo, era uma pessoa que vivia de fazer favores a um e outro, em troca de algumas mixarias. Mais que o mesmo gozava de uma grande amizade entre os embarcadiços, hoje marítimos. Um dia Anastácio teve que junto a outros carpinteiros Navais, fazerem um trabalho na cidade de Macau-RN. Quando em um belo dia apareceu por lá o negro Léo acompanhado de alguns estivadores. Como Léo não tinha acesso à empresa por lá ninguém o conhecê-lo, como ele sabia que Anastácio estava por lá, disse ao vigilante da empresa, me deixe entrar pra falar com o meu pai. Ele se encontra ai realizando uns serviços nas embarcações. O vigilante perguntou quem é seu pai? De imediato o negro Léo respondeu é Anastácio de Areia Branca. E entrou. O fim do dia, o próprio vigilante falou para seu o velho carpinteiro que teria conhecido o seu filho. Anastácio há sacana! Mesmo diante desse causo Anastácio fala com orgulho de ter tido negro Léo como amigo. Outro causo contado por seu Anastácio, foi referente a suas pessoas que eram seus amigos e que os mesmos tinha o mesmo pejorativo, chamavam-se “Zé Maduro”. Na época praticamente em todas as empresas de Areia Branca, existiam nas mesmas uma cantina, para que os próprios empregados fizessem a sua feira, comprasse cigarros e até bebidas. Pois bem, existiam em uma dessas empresas o Zé Maduro, calafateiro e o diarista. Mais quando o Zé Maduro diarista ia até cantina fazia a sua compra, e quando o dono da cantina perguntava pelo seu nome ele simplesmente dizia Zé Maduro! O dono da cantina sem nada perceber folheava a caderneta para as anotações e a primeira pagina que encontrava era a do Zé Maduro calafateiro. No final do mês era aquela zuadeira. Eu num comprei isso não! Eu sei o que eu comprei. Foi isso... E isso. No final salvam-se todos, pois o dono da cantina percebia o erro que ele mesmo cometia, em não prestar a atenção que ali existiam dois Zé Maduro. Seu Anastácio hoje mora com sua esposa e mais duas filha. Uma delas se chama Ana Abreu, muito minha amiga desde que trabalhávamos juntos nos serviços da igreja católica, no Centro Juvenil Dom Bosco. É desse tipo de pessoas que eu gosto de conversar no meu cotidiano. Sempre em busca de fatos e costumes do nosso povo. Anastácio, um mestre por excelência na arte da carpintaria naval.
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