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Paulo César de Brito
VISÃO DO ALÉM Já contei aqui varias histórias com sentido misterioso. Antes quero dizer que sou pior que São Tomé: vi com esses olhos que a terra há de comer um dia, pra repetir o lugar comum antigo, porém até hoje acredito no que vi, talvez seja uma coisa fácil de explicar por um desses fenômenos que o crebro guarda em mistério, sei lá dizer o quê. Foi assim. No meu tempo de adolescente coisa de meus 14, 15 anos, a gente ia, digo a gente os da minha idade, uns mais velhos, uns mais novos, coisa de um ano, dois anos, íamos juntos para a discoteca o Monteiro do nosso amigo Herculano, ali próximo a onde é hoje o Banco do Brasil. O point de encontros dos adolescentes e jovens que procuravam se divertir através da arte da dança e namoros saudáveis. Foi ali naquele lugar. Digo, na discoteca onde conheci varias paqueras e até uns namoricos muito bons, o que se chamaria hoje pelos mais novos de “fica”. Uma noite de domingo lá íamos à turma com destino a discoteca, porém lá pelas as tantas parte dos amigos sumiram da minha vista. Eu estava no momento sem vontade de permanecer naquele ambiente, e resolvi ir embora sozinho para minha casa. Pois a minha casa ficava distante da discoteca, eu morava ali onde é hoje a casa de show tropical nas margens da BR 110, quando criança, eu chamava de “pista”. Pois bem, fiz um lanche rápido comendo alguns churrascos com uma refrigerante e seguir meu rumo. Passei por um colega e perguntei-lhe a hora, ele falou faltam 20 minutos para meia noite. E fiz rastro, sempre com um olha de um ladro para o outro. Confesso que estava com um pouquinho medo no momento. Mais dizia comigo mesmo, chegarei em casa sem ter que aconteça nada comigo. Caminhando já bem displicente, quando cheguei bem próximo ao campo de futebol, ouvir um assobio com um som fino advindo da parte interna do campo, nem dei atenção. Mas quando mim aproximei do portão principal, que era um portão de ferro enorme em tamanho e largura, o som do assobio aumentou, eu dei uma olhada para o lado bem rápido, nesse momento eu fiquei nervoso e tremi muito, mais nada de parar. Pra que? Continuei o meu caminho. Com uns 30 passos mais ao menos, de longe eu tive uma visão muito estranha, uma pessoa saindo das proximidades de um cercado, pertencente ao senhor Chico da Hora, onde servia para guardar animais como vacas e burros, e outras vezes os parques de diversões armavam-se ali. O local é hoje o comercio de Toninho Cunha. Como dizia, de lá saia uma pessoa em chamas agonizando, as labaredas de fogos eram bem acesas. No momento eu parei e fiquei vendo aquela situação até onde iria. A pessoa em chamas não corria, apenas andava. E quando chegava a poucos passos da casa de onde eu morava, ela caiu ao solo e desapareceu. Nesse momento eu imaginava que seria alguém lá de casa, e sai correndo em desespero, quanto mais eu corria, mais o caminho ficava distante. Eu já cansado cheguei enfrente a minha casa, bati na porta chamando por mamãe. De imediato ela abriu, e segundo ela, eu estava como diz os mais velhos sem uma gota de sangue, branco. Ele perguntou-me o que foi menino, que houve com você? Eu disse mãe eu vi uma pessoa em chamas, saia lá de Chico da Hora e caia bem aqui em frente. Minha mãe ficou em silencio por uns minutos e pediu que eu rezasse e fosse dormir. No outro dia bem cedo, ao tomar meu café minha comentou comigo que a pessoa que eu vir em chamas, era uma jovem prostituta, que morava em uma casa de recurso bem próximo dali, que diante da vida que levava a mesma resolveu por fim a sua vida, jogando álcool em seu próprio corpo e morrei. Passei um bom tempo com aquela imagem que vir em minha mente. De uma coisa agora eu acredito, existe visão do além.
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