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Paulo César de Brito
MANUEL GURDIÃO Em belo dia fui assistir a uma partida de futebol pelo campeonato brasileiro de 2009, na capital pernambucana Recife. Os times eram Flamengo do Rio de Janeiro e Náutico de Recife. Mesmo sendo eu torcedor do Clube Regata Vasco da Gama. Fui assistir a aquele espetáculo. Fiquei na torcida do Náutico futebol Clube, pois os ingressos eram mais barato. Fui a serviço na função de motorista conduzindo o meu primo Pedro Neto, Professor Nonato Gurgel e seus respectivos filhos. Já no Estádio dos Aflitos, logo quando deu-se inicio a grande partida, em um dado momento dei de cara com um vendedor de algumas guloseimas, entre elas estava a casa de açúcar. Só que desta vez preparada em cubos. Logo mim vem a lembrança de seu Manuel Gurdião, um velho que vendia em casa, ali onde é hoje a casa de Zé Aires (in memória), proprietário da loja Princess Florence, pitombas, cana de açúcar em rodelas, macaúba, siriguela e apetrechos como carvão e paú. Lembro-me dele com seu carrinho vendendo as frutas, quando os circos vinham passar a curta temporada em nossa cidade. Eu achava muito bonita arte de como ele preparava as rodelas de cana. Abria a própria casca da cana em forma de tridente, e em cada ponta ele enfiava de 3 a 4 rodelas. Eu particularmente comprava de cachos, tanto a cana como a pitomba para deliciar-se. Quando eu morava ali na Rua. Floriano Peixoto, minha mãe cansou de muitas vezes me mandar comprar carvão a seu Manuel. Com o troco eu tinha o direito a comprar o que quisesse, eram macaúba e pitomba, as frutas preferidas. Depois de chupar a macaúba eu e a turma de meninos da minha época, quebrávamos o caroço da mesma para comermos o coquinho que existia dentro. Menino era tão gostoso. Quem nunca fez isso quando criança? Se eu não estou enganado, seu Manuel morreu entre os anos de 84,85, a ultima vez que eu o vir, foi sentado na calçada da sua residência, com seu carrinho de venda, a conversar com um de seus antigos vizinho, de nome Arminho, pai do proprietário do Mercadinho Siqueira, conhecido por Arminho. Soube por um de seus bisnetos, Albano da sua morte. No prédio da antiga Loja Maçônica, onde é hoje o Supermercado Show de Preço, tinha um enorme pé da arvore pitombeira. Quando menino eu estudava na Escola Estadual Dr. Dagmar Sabino, local onde é o prédio do Promad. E saiamos em bando para pular o muro da maçonaria e roubar pitombas. O vigia de lá na época era seu Chico Branco, que muitas das vezes autorizava a nossa entrada para retirar o fruto. Para os saudosistas como eu, fica somente a lembrança de uma época maravilhosa. Porém a imagem de seu Manuel Gurdião permanecerá por muitos anos em minha mente. Seu Manuel levou com ele a maneira especial de preparar a gostosas canas em rodelas no tridente. Saudades e mais nada.
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