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Paulo César de Brito
O MESTRE PARTIU E DEIXOU SAUDADES Amanheci com uma tristeza dentro de mim, quando soube da morte prematura do amigo, professor, historiador, sacerdote e mestre José Jaime Rolim ou simplesmente como era popularmente conhecido em nossa amada terra “Zé Jaime”. Soube através de meus familiares da sua morte. Amigos contaram-me que dois dias anteriores à sua morte dia 24 de julho de 2010, ele fora submetido a um cateterismo, em Natal, e encontrava-se em recuperação quando veio a óbito, por parada cardíaca. Estava eu participando como convidado e acompanhando minha companheira Regi Clesia junto com a turma da Escola Norsal de uma campanha educativa sobre material reciclável e a coleta seletiva, no domingo dia 25 de julho, na belíssima praia de Baixa Grande, quando por volta de meio dia, ao chegar em casa, ouvir minha sogra Francinete, comentar que desde cedo divulgavam na Radio FM local que o ilustre amigo Zé Jaime teria falecido. Subitamente senti um mal estar de tristeza. Pedi ao meu filho Felipe que trouxesse o radio para que eu pudesse ouvir as ultimas noticias. Foi quando ao ligar o radio deparei-me com o Dr. Rogério Edmundo noticiando que naquele momento o mesmo recebia inúmeras mensagens telefônicas dos amigos em prol o falecimento de Jaime. E ao mesmo tempo comunicava que o corpo já se encontrava no Centro Espírita de Umbanda Pai José de Aruanda. Onde o mesmo presidio como sacerdote a quase 4 décadas. Não tive a honra de participar das ultimas homenagens ritualista de corpo presente dentro da umbanda e candomblé presididos pelos babalorixás Melck T´Sángó e Noamã T´Ómulu. Mais fui até o Palacete Municipal, onde o mesmo zelou por chefiar o nosso município com muita honra pelo tempo curto de 10 dias. Fiz uso da palavra, relembrando do tempo em que fui seu aluno na extinta Escola de Comercio, e quando comecei a andar em seu centro espírita, como conhecê-lo culturalmente. Fui aplaudido pelos presentes. O que achei esquisito foi a não participação dos políticos atuais e da época em que Zé Jaime legislava na Câmara Municipal não estar presente em seu sepultamento, por quê? Mais enquanto isso o Estádio Municipal Dr. Gentil Fernandes estava superlotado de pessoas que esperavam 10 equipes dar-se inicio a o campeonato de futebol da cidade. E o respeito a um ser humano que tanto contribuiu em todos os aspectos para a evolução da nossa querida Areia Branca como professor, diretor, escritor, historiador, sacerdote e amigo? Se ele tivesse no poder exercendo algum cargo, no seu sepultamento não daria para contar as inúmeras pessoas que estaria ali ora presente. Mais tudo bem, tudo legal o importante era Deus receber a alma dele e dar um bom lugar para ele nos reinos dos céus. O sepultamento ocorreu às 17h, no Cemitério São Sebastião. José Jaime Faleceu aos 69 anos. O mesmo completaria 70 anos no mês de novembro. Ele se foi, deixando seus familiares, seus inúmeros filhos de santos e amigos. Porém deixou um expressivo espólio religioso, além de memoráveis lembranças da sua passagem pela terra. Prefiro caro leitor não trazer na lembrança o seu corpo inerte dentro daquele caixão, e sim, lembrar-me da imagem dele em nossos bate-papos culturais, realizando cultos aos orixás e jurema sagrada, como também o mesmo deliciando-se de uma cervejinha gelada ouvindo as musicas dos seus cantores preferidos. Meu mestre como costumeiramente chamava-o sempre, tinha tanto para lhe falar, dos meus projetos culturais, do livro de crônicas que desejo publicar um dia, eu iria lhe entregar em mãos as matérias para que o mesmo pudesse redigir cada texto. Mais foi tarde demais, ele já tinha partido para o lar celestial. Mais eu tenho muito a agradecer pelas palavras e o ombro amigo que ele me deu, no momento que eu mais precisei, dentro dos conhecimentos da nossa religião. Na área educacional tenho certeza que, assim como ele foi um ótimo diretor e professor, eu fui para ele um bom e exemplar aluno. Jaime foi o único que a cada momento chamava para se fazer presente nas reuniões da Academia Areia Branca de Letras, e não é que um dia o acompanhei a uma dessas reuniões, e ele apresentou-me aos demais membros, que prontamente deram-me um “sim” de boas acolhidas e hoje sou membro acadêmico da ACABL. Obrigado mestre por tudo que mim proporcionastes. Sempre fui, e agora que serei muito mais um admirador assíduo do velho mestre. E ele sabia disso. Eu ficava feliz quando estava ao seu lado aprendendo muito sobre os usos e costumes do nosso povo de outrora e atual. Sentia e ainda hoje me sinto privilegiado com tudo isso, pode ter certeza. Peço a vós meu pai xangô, rei da justiça e oxum minha doce e amável mãe, para que onde o babalorixá estiver nesse momento rogue aos orixás pela felicidade de seus filhos de santos, familiares e amigos que por aqui o mesmo deixou. E que ele José Jaime continue a bailar em louvores dos orixás pelos barracões da eternidade. A vós meu amigo, babá e mestre peço-lhe minha benção, meu kolofé, meu motumbá, meu mucuiu Babá. Saudades de Zé Jaime.
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