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Paulo César de Brito
O BECO DO CARAGO Antigamente toda cidade tinha o seu beco, e esse beco tinha sua história, umas verdadeiras, outras criadas pelo imaginário popular. Na minha cidade tinha vários, o beco da galinha morta, da Norsal, dos dedinhos, da liberdade e o mais famoso beco do carago. Cujo nome de batismo desses becos, alguns conhecidos outros nunca soube. Pela obvia referencia, nem carece explicar aqui a origem do nome, senão. Que o beco envergonhado mais tarde do seu nome de batismo de parte da percepção popular imediata. Era a prefeitura que deveria mudar o nome pejorativo de cada um deles. E foi o que houve para alguns. Mais para a lembrança de muitos Areia-branquenses permanecem os nomes antigos. Pois bem, quero falar aqui do beco do carago, hoje, Rua Francisco da Silveira Martins, no bairro residencial de nome Cohab. Por que o beco do carago? Nesse beco era depositados resíduos tirados dos baldes de salinas, depois que se batia, lavava e retirava-se o sal. Então o resíduo servia para colocar em ruas, em que na época de inverno ficavam totalmente alagadas e com um lamaçal horrível. O carago servia para endurecer o terreno, para que os carros e bicicletas utilizados na salinas, por nossos salineiros pudessem assim trafegar. Apesar de ter o nome de beco do carago, o local era tido como um aterro sanitário. Agora sem nenhum tratamento adequado com se tem hoje. Na verdade se ousava outro nome “munturo” por juntar ali todos os tipos de lixo, desde residencial, hospitalar, incluindo restos mortais de animais. Com um fedor horrendo. Mais o beco tinha outras historias que eu mesmo, ouvia contar os maiores. Que lá servia para encontros amorosos às escondidas. Onde mulheres e homens traiam seus parceiros se envolvendo em aventuras sexuais. Mais para os pobres salineiros o beco era de tristes memórias, era naquele lugar onde muitas das vezes os nossos humildes trabalhadores pais de famílias, se encontrava com a malvada turma da vara, que os surravam de forma covarde para alegria da turma. Mais com a chegada do Tenente Durval da Policia Militar a nossa cidade, foi desmascarada de vez por toda, a temida turma da vara. Segundo relatos dos conterrâneos mais velhos, quando a turma da vara foi pega, o heróico Tenente desfilava com eles pelas ruas da cidade, já de madrugada até chegar ao quartel. Era um ai, ai, desgraçado, por que faziam parte do grupo de vândalos filhos de papai, de nome na cidade. É bom lembrar que o corajoso Tenente encarou sozinho e pôs a turma da vara a traz das grades para verem o sol nascer quadrado por um bom tempo. Agora, quem em sua época de adolescente, jovem ou adulto nunca fez uso de um dos becos a qual citei aqui, para realizar suas estripulias e aventuras do cotidiano? Eu particularmente confesso, usei e muito. E você?
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